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HOMENAGEM AO DR. EMÍLIO BRUNO GERMEK
( No IAC, em 17 de Maio de 2006 - por Renato Ferraz de Arruda Veiga)

Na década de setenta pude conhecer o Dr. Germek, na qualidade de seu estagiário e tive meus primeiros passos na área de recursos genéticos, em especial no intercambio e quarentena de plantas. Na década de oitenta fui contratado para trabalhar com o Dr. Germek como Eng. Agr. para efetuar a caracterização do BAG-Amendoim (Convenio Embrapa-Cenargen e IAC).
Foi pouco tempo juntos, é verdade, mas, este legado de 45 anos de serviços prestados ao IAC, recebi do mestre Germek e o prossigo com muito orgulho até hoje.
Dr. Germek, o seu currículo é impossível apresenta-lo hoje, pois eu teria que ficar lendo até amanhã e não temos tempo para isto. Entretanto, vamos fazer uma simples pincelada que não representará, com certeza, toda a sua grandeza científica.
Nascido em São Paulo, aos 17 de maio de 1913, hoje, portanto, completando seus 93 anos, para o que solicito uma salva de palmas.
Formado Eng. Agr. pela ESALQ, em 1936 – quinto da turma dentre os 28 colegas – já se despontava para a pesquisa agrícola.
Iniciou profissionalmente, no mesmo ano da formatura, na Seção de Genética, com pesquisas de melhoramento genético de milho, sorgo, trigo, centeio e arroz, esta última como único melhorista responsável, até junho de 1958.
Realizava as hibridações em Campinas, e as experimentações com arroz irrigado em Pindamonhangaba e de sequeiro em Pindorama. Executava pesquisas, também, em outras unidades como: Capão Bonito, Franca, e Mococa. Pesquisas nas quais comumente criava sua própria metodologia.
Neste ínterim, colaborou substituindo a Chefia da Seção de Cereais e Leguminosas.
Em 1958, assumiu a Chefia da Seção de Introdução de Plantas Cultivadas, permanecendo até 1970, quando as atividades passaram para a Seção de Botânica Econômica, na qual continuou como Chefe até sua aposentadoria em 1981.
Além de seu trabalho maravilhoso com germoplasma de arroz, cujo trabalho de melhoramento se reflete até os dias de hoje, com mais de uma dezena de novas cultivares, ainda atuou na domesticação e aclimatação de muitas espécies de plantas agrícolas, dentre as quais podemos destacar seu trabalho pioneiro com o Kiwi, Pupunha, Calabura, entre tantas outras espécies que passaram pelas suas mãos de melhorista.
Pela sua atuação com quarentena de plantas, participou de eventos marcantes da agricultura brasileira, como na introdução do germoplasma de café que acabou por salvar esta cultura disponibilizando germoplasma resistente ä ferrugem do café, apoiando o grupo do saudoso Dr. Alcides Carvalho. Bem como apoiando o CENARGEN, como consultor, no início daquela instituição.
Germek ainda produziu estudos importantíssimos como o combate à Tiririca, de Adubação Nitrogenada em Cobertura, de enraizamento da Roseira, de enxertia da Videira, de manejo da Primavera, aclimatação do feijão guandu, quarentena de cana-de-açúcar em conjunto com Coopersucar e Planalsucar (mais de mil introduções), com citros (mais de 800), cacau (178), bambu (133) - entre tantos outros acessos de espécies quarentenadas para os Bancos Ativos de Germoplasma e coleções de trabalho para pesquisas de melhoramento genético – instalou um arboreto no CEC (cujas espécies continuam até hoje). Publicou mais de 100 artigos dentre científicos e de divulgação.
Acabamos de criar uma ONG denominada “Amigos do Jardim Botânico IAC”, que pretende ser uma grande vela para empurrar o barco do Jardim Botânico. A Associação dos Amigos do Jardim Botânico IAC (AJBIAC) não poderia se omitir em efetuar esta pequena homenagem a este grande homem que elevou o nome de nossa instituição e nada melhor do que escolher a data do seu aniversário, aos 93 anos.
Caro Germek, como presidente da AJBIAC tenho a honra de encabeçar esta homenagem e entregar-lhe uma singela placa que lembre este momento.
Estiveram presentes pessoas ilustres como o Diretor Geral Substituto do IAC Dr. João Paulo Feijão Teixeira (que entregou o prêmio ao Germek), o Diretor da Embrapa Monitoramento por Satélites Dr. Evaristo de Miranda e o vice-diretor Dr. José Roberto de Miranda, os aposentados: Dr.Popílio Ângelo Cavaleri (ex diretor geral do IAC), Dr. Ary de Arruda Veiga (ex chefe da Estação Experimental de Tietê), Dr. Elois Giacomelli (especialista em abacaxi), entre tantas outros pesquisadores da ativa e personalidades campinenses.
2. HOMENAGEM AO DR. HERMES MOREIRA DE SOUSA

Em 15 de Setembro de 2006, por Renato Ferraz de Arruda Veiga
Praticamente nasceu botânico, em 1918, influenciado que foi por seus pais que eram amantes da natureza.
Em 1942, formou-se Eng. Agr. pela ESALQ/USP, aos 24 anos de idade, iniciando já no ano seguinte suas atividades no Instituto Agronômico, na antiga Seção de Botânica. Revoltado com o trabalho no herbário, onde julgava estar trabalhando com “plantas mortas”, optou por transferir-se para a Divisão de Fomento Agrícola da CATI, onde ficou apenas cinco anos, retornando ao IAC, agora para trabalhar com as “plantas vivas” ornamentais.
Em 1962, assumiu a Chefia da Seção de Floricultura, onde permaneceu até a sua aposentadoria, em 1984, então com seus 42 anos de fiéis serviços prestado ao Governo do Estado de São Paulo.
Teve larga atuação ativista na preservação da natureza, como mostram alguns pequenos exemplos como a fundação da PROAM – Sociedade Protetora do Meio Ambiente e a fundação da AJBIAC, como o seu sócio número 1.
Pode-se dizer que suas obras mais visíveis são os seus jardins, tais como os da CATI, do Complexo Monjolinho do IAC, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron do MCT, todos em Campinas, e ainda os da Prefeitura de Nova Odessa e da Refinaria REPLAN, em Paulínia, as palmeiras do parque da ESALQ/Piracicaba, entre outros.
Além disso, pode-se citar sua imensa contribuição na urbanização brasileira com Campinas e região sendo beneficiada com o planejamento dos parques, praças e calçadas das ruas e avenidas, enfeitadas com as plantas saídas diretamente das coleções mantidas pelo Hermes no IAC.
Seu currículo é extremamente invejável, com incontáveis palestras, participações em eventos científicos e técnicos, contribuições em associações, uma série famosa de publicações no suplemento agrícola do Estado de São Paulo, além de uma centena de boletins técnicos, artigos científicos e livros, estes últimos com expressiva venda até hoje.
Visto isto, temos a honra de solicitar ao Professor Xico Graziano (hoje Secretário do Meio Ambiente) a entrega da Placa alusiva a esta homenagem ao amigo Hermes, o “Construtor de Florestas”, como disse a Dra. Dionette da UNICAMP, no dia de ontem - “O animal que mais propagou sementes na nossa região”, Dr. Hermes Moreira de Souza.